ABIFA aprova acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia

“O Brasil está presenciando um dos maiores acordos comerciais até hoje efetivado”

Em 28 de junho, após 20 anos de negociações, finalmente foi anunciado o Acordo de Associação entre o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia (UE), segundo nota conjunta divulgada pelos Ministérios da Economia e das Relações Exteriores.

O acordo é considerado um marco histórico no relacionamento entre os dois blocos, que representam, juntos, cerca de 25% do PIB mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas. Conforme pontuado no documento, “em um momento de tensões e incertezas no comércio internacional, a conclusão do acordo ressalta o compromisso dos dois blocos com a abertura econômica e o fortalecimento das condições de competitividade”.

Nas palavras de Afonso Gonzaga, presidente da ABIFA – Associação Brasileira de Fundição, “o Brasil está presenciando um dos maiores acordos comerciais até hoje efetivado. Estamos falando de 90% de nossa economia envolvida em um projeto que nos próximos dois anos nos dará mais de 780 milhões de possíveis compradores. Com uma redução de aproximadamente 90% em termos de tarifas, criamos um novo mercado para o setor de fundição, o que com certeza nos proporcionará um acréscimo de no mínimo 30% dos números atuais”.

O acordo Mercosul-UE abrangerá temas tanto tarifários quanto de natureza regulatória, como serviços, compras governamentais, facilitação de comércio, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e propriedade intelectual.

As empresas brasileiras serão beneficiadas com a eliminação de tarifas na exportação de 100% dos produtos industriais, sendo equalizadas as condições de concorrência com outros parceiros que já possuem acordos de livre comércio com a União Europeia.

Em compras públicas, por exemplo, empresas brasileiras obterão acesso ao mercado de licitações da UE, estimado em US$ 1,6 trilhão. Os compromissos assumidos também vão agilizar e reduzir os custos dos trâmites de importação, exportação e trânsito de bens.

Segundo estimativas do Ministério da Economia, o acordo Mercosul-UE representará um incremento do PIB brasileiro de US$ 87,5 bilhões em 15 anos, podendo chegar a US$ 125 bilhões se considerada a redução das barreiras não tarifárias e o incremento esperado na produtividade total dos fatores de produção.

Ainda de acordo com a mesma fonte, o aumento de investimentos no Brasil no mesmo período deverá ser da ordem de US$ 113 bilhões. Com relação ao comércio bilateral, as exportações brasileiras para a UE apresentarão quase US$ 100 bilhões de ganhos até 2035.