Governo cria linhas de crédito para financiar a Indústria 4.0 no Brasil

A pior crise econômica da história do Brasil, iniciada em meados de 2013, deixou um legado de desindustrialização gritante. Hoje, a indústria de transformação participa em somente 11,4% do Produto Interno Bruno nacional, o que equivale à metade do que era há 20 anos. Com a retomada gradual dos negócios, a pergunta que fica é: Como reverter esse cenário?

A resposta a esse questionamento passa necessariamente pelo pressuposto básico de se investir em inovação, para o aumento da competitividade e produtividade das nossas indústrias, que entre 2006 e 2016 caiu mais de 7%, segundo levantamento do IBGE e da CNI.

Outro dado alarmante vem do índice Global de Competitividade da Manufatura, levantado pela Delloite e Council on Competitiveness (2016), que aponta que o Brasil caiu da 5ª posição em 2010 para a 29ª em 2016. E sabe quem está na liderança? A China, seguida dos Estados Unidos, Alemanha e Japão.

Ademais, hoje o Brasil ocupa a 69ª posição no Índice Global de Inovação, o qual avalia quesitos como crescimento da produtividade, investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), educação e exportação de produtos de alta tecnologia.

Visando a viabilizar estes investimentos no pós-crise, recuperar a competitividade da indústria brasileira e inserir a Indústria 4.0 definitivamente no país, o governo criou linhas de crédito que somam R$ 9 bilhões. Instituições financeiras públicas e privadas, entendendo a importância do desenvolvimento de projetos tecnológicos e de inovação na indústria nacional, passaram a oferecer linhas de crédito especiais para a modernização das plantas produtivas e produção de máquinas e sistemas.

A Finep (Empresa Brasileira de Inovação Industrial), por exemplo, oferecerá R$ 3 bilhões em crédito até 2020 para projetos tecnológicos e de inovação, enquanto o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) entrará com R$ 5 bilhões e o BASA (Banco da Amazônia) contribuirá com R$ 1,1 bilhão.

O conceito da Indústria 4.0 é o pilar da 4ª Revolução Industrial. Como todas as outras, é um caminho sem volta. Num futuro muito próximo, o mercado só terá margem para as indústrias que se atualizarem, por um motivo muito simples: o seu produto será mais competitivo. Portanto, a hora é de entender o que esta Indústria 4.0 tem a oferecer e como será a inserção da sua empresa neste futuro próximo.

 

O que é a Indústria 4.0

A Indústria 4.0 se caracteriza por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão dos mundos físico, digital e biológico.

Estas tecnologias são a manufatura aditiva, inteligência artificial (IA), Internet das coisas (IoT), biologia sintética e sistemas ciber-físicos (CPS). Cada uma delas é detalhada abaixo. A fonte utilizada foi um trabalho da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).

 

Manufatura aditiva

A manufatura aditiva ou impressão 3D é a adição de materiais para a fabricação de objetos. Esta tecnologia já é velha conhecida da indústria de fundição, especialmente para a confecção de moldes e modelos, inclusive em areia.

 

Inteligência artificial

Busca simular a capacidade humana de raciocinar, tomar decisões e resolver problemas, dotando softwares e robôs da capacidade de automatizarem vários processos.

 

Internet das coisas

Representa a possibilidade de que objetos físicos estejam conectados à Internet, executando de forma coordenada uma determinada ação. É o caso da comunicação entre máquinas.

 

Biologia sintética

É a convergência de novos desenvolvimentos tecnológicos nas áreas da química, biologia, ciência da computação e engenharia, permitindo o projeto e construção de novas partes biológicas, como enzimas, células e circuitos genéticos.

 

Sistemas ciber-físicos

Sintetizam a fusão entre o mundo físico e digital. Dentro desse conceito, todo o objeto físico (seja uma máquina ou uma linha de produção) e os processos físicos que ocorrem, em função desse objeto, são digitalizados.

 

Esclarecida a teoria, a dúvida que surge é: Como inserir a minha pequena ou média empresa a um ambiente tão tecnológico?

Na agenda da Indústria 4.0 elaborada pelo governo, é colocada a ideia de estratégia dual, ou seja, transformar a indústria hoje, para criar a indústria do futuro.

Trazendo a teoria para a prática, isso significa que as empresas hoje têm sim espaço para fazer um uso mais eficiente dos seus recursos (físicos, financeiros etc), para que os seus produtos sejam mais competitivos. Um exemplo é a implementação de formas mais eficientes de gestão, como a lean manufacturing, além da orientação dos processos e decisões a partir da análise em tempo real dos dados de produção.

Este já é um começo, a partir do qual se encaixam todas as tecnologias mencionadas.

Ainda em dúvida sobre os impactos da Indústria 4.0?

Segundo levantamento da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), a estimativa anual de redução de custos industriais no Brasil a partir da migração para a Indústria 4.0 será de no mínimo R$ 73 bilhões por ano.

Essa economia envolve ganhos de eficiência, redução dos custos de manutenção de máquinas e consumo de energia.

 

Para informações adicionais sobre como inserir a sua empresa nesta nova ordem industrial, acesse www.industria40.gov.br e conheça em detalhes a agenda da Indústria 4.0 elaborada pelo Grupo de Trabalho para a Indústria 4.0, que envolve mais de 50 instituições, entre governo, empresas e sociedade civil organizada.