Indústria de fundição cresce 3% no primeiro trimestre

Alta “tímida” acompanha tendência gradual de crescimento da economia

O primeiro trimestre de 2019 foi marcado por um crescimento bastante tímido da indústria em geral, como já era de se esperar nestes meses de “transição” entre o antigo e o novo governo.

No caso da indústria de fundição, a alta em relação aos três primeiros meses do ano passado foi de 3%. No comparativo com 2017, o crescimento foi de 9,4%.

A produção de fundidos entre janeiro e março deste ano totalizou 566.919 t, entre ferro fundido (453.537 t), aço (66.108 t) e metais não ferrosos (47.274 t). Nestes últimos estão contidos o cobre (5.121 t), zinco (294 t), alumínio (40.599 t) e magnésio (1.260 t).

O comparativo completo com 2018 está detalhado na tabela 1.

Tabela 1 – Comparativo da produção acumulada de fundidos no primeiro trimestre de 2019.
Metal Jan-Mar 2019 (t) Jan-Mar 2018 (t) 2019/2018 (%)
Ferro 453.537 447.746 1,3
Aço 66.108 52.299 26,4
Não ferrosos (total) 47.274 50.140 (5,7)
Cobre 5.121 5.178 (1,1)
Zinco 294 286 2,8
Alumínio 40.599 43.416 (6,5)
Magnésio 1.260 1.260
Total 566.919 550.185 3,0

Neste primeiro trimestre de 2019, o mercado interno consumiu 478.057 t. Trata-se de 5,6% mais do que no ano passado.

As exportações de fundidos, por sua vez, caíram 9% em peso (88.862 t) e 13,1% em valores.

Segundo Roberto João de Deus, diretor-executivo da ABIFA, o comportamento das exportações não tem uma explicação lógica ao longo do ano. “Da mesma forma que estão em queda este mês, no próximo podem ter uma expressiva alta, sem motivo aparente”. O fato é que no pós-crise ela tem se mantido praticamente constante, tendo representado 16,5% da produção total de fundidos em 2018. Em março último, este percentual foi de 15,7%.

Quando questionado se a crise na Argentina pode estar afetando os embarques de fundidos brasileiros, João de Deus lembra que somente indiretamente, haja visto que o país vizinho é um grande consumidor das montadoras brasileiras, mas não de nossas fundições.

Os Estados Unidos seguem como sendo os principais clientes do Brasil externamente e o terceiro maior produtor de fundidos do mundo, precedido da China (em primeiro lugar) e da Índia (em segundo). Juntos, os três países respondem por 70% da produção mundial, totalizando 71,13 milhões de toneladas. No ranking divulgado pela revista Modern Casting em 2018, o Brasil ocupou o décimo lugar, tendo caído três posições nos últimos quatro anos.

 

Tabela 2 – Exportações acumuladas de fundidos no primeiro trimestre de 2019, em peso e valores.
Metal Jan-Mar 2019 (t) Jan-Mar 2018 (t) 2019/2018 (%) Jan-Mar 2019 (mil US$ – FOB) Jan-Mar 2018 (mil US$ – FOB) 2019/2018 (%)
Ferro 79.818 89.740 (11,1) 163.272,6 196.296,4 (16,8)
Aço 7.505 6.727 11,6 21.790,6 18.301,6 19,1
Não ferrosos 1.539 1.131 36,1 4.368,8 3.487,7 25,3
TOTAL 88.862 97.597 (9,0) 189.432,0 218.085,8 (13,1)

Com a produção de fundidos praticamente estável, o número de colaboradores nas fundições está constante, totalizando 55.872 pessoas em março (+0,1% em relação ao mês anterior).

A produtividade do setor, por sua vez, está em 41,4 t/h.a.

Para Afonso Gonzaga, presidente da ABIFA, ainda é cedo para qualquer alteração da expectativa de crescimento de 7% do setor em 2019. “Estivemos em Brasília em fevereiro, em reunião com a equipe do secretário Marcos Cintra, titular da Secretaria da Receita Federal. Na ocasião, fomos informados de que a desoneração da folha de pagamento de fato ocorrerá. Isso, associado à aprovação da Reforma da Previdência, que deve ocorrer nos próximos meses, certamente dará novo fôlego ao empresariado brasileiro, em especial à indústria de fundição e mercados correlatos”, conclui.

Discussões

Os números relativos ao desempenho da indústria de fundição no primeiro trimestre de 2019 foram apresentados em 23 de Abril, na Reunião Plenária realizada mensalmente pela entidade em sua sede.

Estes encontros são finalizados com discussões sempre muito proveitosas entre os presentes, tanto fundidores quanto fornecedores da indústria de fundição.

Confira alguns dos temas destacados na reunião:

• “O problema do setor de fundição no Brasil não é a produção, mas sim a rentabilidade das empresas”. Esta frase foi dita por um dos presentes, referindo-se aos custos abusivos e impostos praticados no país.

• Outro profissional presente no encontro reiterou a colocação acima, afirmando que o brasileiro deve se conscientizar da necessidade de se tornar mais rentável e competitivo por meio do investimento em tecnologia. “Se o governo não reduz o preço da energia, invista em fornos mais econômicos e produtivos, por exemplo”.

• Segundo João de Deus, ao analisar os investimentos do setor nos últimos anos, verifica-se que os principais aportes foram feitos entre 2009 e 2010. Ou seja, após o boom de crescimento de 2008, quando a produção nacional registrou 3.355,2 mil toneladas. Quando estes investimentos foram concluídos, veio a crise.

• Sobre esta questão, outro profissional destacou a premissa básica dos ciclos de alta e baixa da economia e a necessidade de se planejar para investir na baixa. Assim, quando a economia “vira”, a empresa está produtiva e pronta para atender à demanda com eficiência e competitividade.

• Ainda sobre o tema crise, está claro que a última passou, mas outras virão. Portanto, a hora é de investir tanto em tecnologia quanto em qualidade. Afinal, ficou bem claro que no caso de uma crise interna, as exportações são a saída para manter-se ativo e vivo. Mas para isso, é preciso ser competitivo tanto interna, quanto externamente.