Investimentos na indústria ficam seis pontos percentuais abaixo do pretendido em 2018

O principal alvo dos projetos foi a melhoria ou modernização de processos e produtos

A conclusão do levantamento Investimento na Indústria, realizado pela CNI – Confederação Nacional da Indústria, foi que as dificuldades de recuperação da economia frustraram os planos de investimentos das grandes indústrias em 2018.

Segundo a pesquisa, o número de empresas que fez algum tipo de investimento no ano passado foi de 75%, seis pontos percentuais abaixo dos 81% que planejavam investir inicialmente.

Entre as empresas que de fato investiram, metade (51%) não conseguiu realizar os projetos conforme planejado. Dessas, 38% realizaram os investimentos apenas parcialmente, 9% adiaram os projetos para 2019 e 4% cancelaram ou adiaram para depois de 2019.

O levantamento mostra que, entre as empresas que investiram, a maioria (56%) destinou recursos para a continuação de projetos anteriores e 44% aplicaram em novos projetos.

O principal objetivo dos investimentos em 2018 foi a inovação: 53% das empresas aplicaram na melhoria ou na modernização dos processos produtivos e em novos produtos. Dessas, 36% investiram na melhoria dos processos produtivos, 13% buscaram a introdução de novos produtos e 4% aplicaram em novos processos de produção.

Além disso, 28% investiram no aumento da capacidade de produção, o maior número registrado desde 2012.

Conforme a pesquisa, 75% dos investimentos feitos em 2018 foram financiados com capital próprio das empresas (o mesmo percentual de 2017, semelhante inclusive à fatia de 72% registrada em anos anteriores).

Já a participação dos bancos comerciais privados foi recorde (de 8% em 2017 para 13% em 2018), enquanto a dos bancos oficiais de desenvolvimento foi a menor da série, que começou em 2010 (de 10% em 2017 para 7% em 2018).

Na opinião de Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da CNI, a recuperação do investimento é fundamental para a retomada do crescimento sustentado. “O investimento em uma nova fábrica, ou nova linha de produção gera muito mais emprego do que a reativação de uma máquina parada. A geração mais robusta de empregos será capaz de aumentar a renda e o consumo. Isso estimula novos investimentos e realimenta o ciclo virtuoso do crescimento”, afirma.

Planos para 2019

As expectativas para este ano seguem positivas. Oito em cada dez indústrias de grande porte planejam investir em 2019. Ou seja, 80%, em comparação aos 67% de 2017 e aos 64% de 2016.

Entre as indústrias que pretendem investir, 57% afirmaram que a perspectiva de aumento da demanda motivou os projetos de investimentos. Fatores técnicos, como tecnologia, mão de obra e matéria-prima disponíveis, foram estímulos para 41% das empresas.

O principal objetivo das empresas que pretendem investir em 2019 é a melhoria dos processos produtivos, o que demonstra a preocupação com a eficiência e a competitividade.

A melhoria dos processos produtivos ficou em primeiro lugar, com 36% das assinalações. Em seguida, com 22% das respostas aparece o aumento da capacidade instalada e, em terceiro lugar, com 17% das menções, a introdução de novos produtos.

“Diante da nova revolução industrial, a inovação tem papel importante para as empresas. A capacidade de inovar é que determinará quem fica com as portas abertas e quem vai desaparecer neste ambiente de crescente pressão tecnológica e de sofisticação de mercado”, avalia Castelo Branco.

Os investimentos neste ano devem se concentrar na compra de máquinas e equipamentos. Essa opção obteve 59% das menções das empresas que têm planos para investir.

Em segundo lugar, com 18% das respostas, aparece a compra de novas tecnologias, como automação e tecnologias digitais, e, em terceiro, com 6% das assinalações, os empresários apontaram a melhoria da gestão do negócio.

Em 2019, as indústrias brasileiras (67%) pretendem investir especialmente para conquistar o mercado interno. Os investimentos destinados exclusivamente ao mercado externo, por sua vez, passaram de 7% em 2018 para 8% neste ano. A CNI avalia que esse resultado se deve à baixa demanda interna e às incertezas do mercado externo.

Esta edição da pesquisa Investimentos na Indústria foi realizada entre 24 de janeiro e 15 de abril, com 334 indústrias de grande porte, ou seja, que empregam 250 ou mais colaboradores.