Mercado interno em alta e queda das exportações marcam a indústria automotiva em 2018, com previsão de novo crescimento em 2019

Definitivamente, 2018 marcou o fim de uma crise interna histórica para o Brasil. Os números que começam a ser apresentados são em sua imensa maioria positivos, mostrando que o brasileiro voltou a consumir e, portanto, a indústria está retomando as suas atividades, certamente mais forte do que há quatro anos.

Confira a seguir o balanço da ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, cujo desempenho é vital para a indústria de fundição. Conforme o Anuário ABIFA 2018, publicado em dezembro passado, a indústria automotiva atualmente responde por 50% da demanda de fundidos no país (base 2017). Portanto, vamos aos seus números.

Autoveículos

Segundo a ANFAVEA, em 2018 foram licenciados 2,56 milhões de autoveículos (entre veículos leves, caminhões e ônibus), o que corresponde a um aumento de 14,6% em relação ao ano anterior.

Antonio Megale, presidente da entidade, resume o exercício 2018 da seguinte forma: “O resultado da indústria automobilística brasileira no ano passado mostrou que 2018 consolidou a retomada iniciada em 2017. O mercado interno teve forte reação, o que mostra que parte da demanda reprimida foi bem atendida. O crescimento das vendas de caminhões e máquinas agrícolas indica a recuperação da economia brasileira. O único indicador negativo foi o volume de exportações, por conta da forte retração do mercado argentino, nosso principal parceiro comercial. O balanço da produção também foi positivo, mesmo com a redução nas exportações.”

Transformando isso em números, temos que a produção de autoveículos montados totalizou 2,89 milhões de unidades em 2018, o equivalente a uma alta de 6,7% sobre os 2,69 milhões de unidades fabricadas em 2017.

Nas exportações, exemplificando a declaração de Megale, o cenário foi de baixa: 629,2 mil unidades foram embarcadas em 2018; 17,9% menos do que as 766 mil unidades de 2017, ano em que a indústria registrou números recordes no comércio exterior.

Caminhões

No que diz respeito ao segmento de caminhões, 76 mil unidades foram licenciadas em 2018 – expansão de 46,3% diante das 52 mil unidades do ano anterior.

A produção de caminhões semileves, leves, médios, semipesados e pesados, por sua vez, encerrou o ano com alta de 27,1%: foram 105,5 mil unidades em 2018 e 83 mil em 2017.

As suas exportações, ao contrário, recuaram 12,7% no ano passado, ficando em 24,6 mil unidades.

Ônibus

No segmento de ônibus (rodoviários e urbanos), as vendas em 2018 foram de 15,1 mil unidades, o que corresponde a um crescimento de 28,3% frente as 11,7 mil do ano anterior.

Em 2018, foram produzidos 28,5 mil chassis para ônibus – alta de 38,2% em relação a 2017.

As exportações de chassis, ao contrário de autoveículos e caminhões, ficaram estáveis em 2018, quando foram embarcados 9,1 mil chassis; mesmo volume de 2017.

Máquinas agrícolas e rodoviárias

Em 2018, o mercado interno absorveu 47,8 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, entre tratores de roda, colheitadeiras de grãos, colhedoras de cana, tratores de esteiras e retroescavadeiras. Este volume equivale a uma expansão de 12,7% sobre as 42,4 mil unidades comercializadas em 2017.

A produção nos 12 meses de 2018 acumulou 65,7 mil unidades, ficando 23,8% além das 53 mil unidades fabricadas no ano anterior.

As exportações de máquinas agrícolas e rodoviárias encerraram o ano com o embarque de 12,7 mil unidades – diminuição de 9,1% frente as 14 mil de 2017.

Projeções para 2019

A ANFAVEA estima que em 2019 o licenciamento de autoveículos aumentará 11,4%, totalizando 2,86 milhões de unidades.

No caso das exportações, a projeção é de estabilidade em relação a 2018, com 590 mil unidades negociadas externamente.

Com isso, a produção deve chegar em 3,14 milhões de unidades, o que significa um aumento de 9% em comparação ao exercício anterior.

“Para 2019, nossa expectativa é de mais um ano de crescimento, exceto nas exportações. A conjuntura macroeconômica indica fatos positivos, como aumento do PIB, inflação diminuindo e queda do dólar. A oferta de crédito em 2018 foi a maior desde 2011. Na soma de todos esses fatores ao otimismo com as reformas econômicas propostas pelo novo governo, acreditamos em uma reação sequencial, que passa pela retomada da confiança tanto do consumidor quanto do investidor”, afirma Megale.

Para o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias, a previsão é de alta das vendas internas em 10,9%, com 53 mil unidades em 2019. As exportações seguirão o mesmo patamar do ano passado, com 13 mil unidades. Já a produção de novos produtos será de 66 mil unidades em 2019 – alta de 0,5%.