Ranking de competitividade compara Brasil com outros 17 países com economia similares

Segundo o relatório Competitividade Brasil 2018-2019, elaborado anualmente pela CNI – Confederação Nacional da Indústria, o Brasil está em 17º lugar na lista que compara o desempenho de 18 países em nove fatores que têm impacto sobre a eficiência e o desempenho das empresas na conquista de mercados. O último lugar é ocupado pela Argentina.

No topo do ranking está a Coreia do Sul, seguida do Canadá e Austrália. Os latino-americanos Chile (8º lugar), México (11º lugar), Colômbia (14º lugar) e Peru (16º lugar), também estão à frente do Brasil.

“A competitividade do país define o poder que as empresas têm de conquistar mercado. Na medida em que esse poder aumenta, a empresa gera mais empregos, mais renda e contribui para o crescimento econômico”, afirma Renato da Fonseca, gerente-executivo de Pesquisas da CNI. “Se o Brasil não resolver os problemas de competitividade que afetam as empresas, como as questões tributárias e de infraestrutura, ficará muito difícil a economia brasileira alcançar um cenário de crescimento em que o padrão de vida dos brasileiros se aproxime do padrão de vida dos países desenvolvidos”, completa.

Este ranking anual, elaborado desde 2010, compara o Brasil com 17 países de economias similares: África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Índia, Indonésia, México, Peru, Polônia, Rússia, Tailândia e Turquia.

Os nove fatores avaliados são: disponibilidade e custo de mão de obra; disponibilidade e custo de capital; infraestrutura e logística; peso dos tributos; ambiente macroeconômico; competição e escala do mercado doméstico; ambiente de negócios; educação e tecnologia e inovação.

Os fatores foram desdobrados em 20 subfatores, aos quais foram associadas 56 variáveis.

 

Avanços

De acordo com o estudo, entre 2017 e 2018, a competitividade brasileira melhorou em quatro fatores: ambiente macroeconômico, peso dos tributos, ambiente de negócios e disponibilidade e custo de mão de obra.

“Em ambiente de negócios, o país avançou da 17ª para a 16ª posição, devido à melhora das variáveis relacionada à burocracia, como a redução do tempo requerido para completar procedimentos para a abertura de empresas”, diz o relatório. No quesito ambiente de negócios, o Brasil está à frente de Argentina e Peru.

Retrocessos

Por outro lado, o Brasil ficou para trás no fator educação, caindo do 10º lugar em 2017, para o 11º em 2018, devido à redução dos gastos na área. O primeiro lugar no quesito educação ficou com o Canadá e o último com a Índia.

A retração das despesas com pesquisa e desenvolvimento (P&D), de 1,34% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 para 1,27% do PIB em 2016, reduziu a vantagem do Brasil em relação à média dos competidores, o que fez com que o país perdesse uma posição no fator tecnologia e inovação. No topo da lista desse fator ficou a Coreia do Sul e, no último lugar, a Argentina.

O maior problema do Brasil é a alta taxa de juros real de curto prazo e o maior spread da taxa de juros. Em 2017, a taxa real de juros de curto prazo no Brasil foi de 9,6% e o spread da taxa de juros alcançou 38,4%, os mais altos entre os 18 países selecionados.