Vale divulga intenção de investir na produção de HBI, pressionando o governo por queda dos preços do gás

As políticas restritivas para a redução da emissão de gases de efeito estufa têm levado a indústria siderúrgica, responsável por cerca de 9% das emissões globais de CO2, a “repensar” as suas técnicas de produção.

A tendência é que a compra de permissões de carbono se torne cada vez mais cara, de modo que encontrar soluções para reduzir as emissões ao longo do processo operacional é a chave para a melhora da lucratividade.

Diferentes tecnologias visando à redução das emissões da indústria siderúrgica já estão disponíveis, considerando o uso da biomassa como carga de combustível e o aumento do uso de metálicos como fonte de ferro, garantindo a pureza química das siderúrgicas.

Com isso em mente, a Vale estuda a possibilidade de investir na produção de HBI – Hot Briquetted Iron, cuja composição contempla 93% de teor de ferro com baixo teor de contaminantes. Além disso, ele elimina a necessidade de coque ou carvão metalúrgico na indústria siderúrgica, sendo usado em fornos elétricos que utilizam a sucata como matéria-prima na produção do aço, ou altos-fornos, que usam minério de ferro. Assim, o aumento iminente da oferta de sucata obsoleta em âmbito mundial criará grandes oportunidades ao HBI, não somente no Brasil, mas em especial na China, Estados Unidos e Europa.

De que depende a concretização destes planos? A redução dos custos do gás, principal insumo empregado na fabricação do HBI. Segundo matéria divulgada pela Reuters, o HBI é negociado no mercado internacional entre 250 e 300 dólares por tonelada, ou mais de três vezes o valor de minério de ferro. No entanto, a sua produção é escassa e os poucos países produtores de HBI estão situados em áreas com oferta de gás barato, como o Oriente Médio, o que pode mudar caso os planos do Brasil de ampliar a oferta e reduzir os preços do gás se desenvolvam com sucesso, com as descobertas no Pré-Sal e na área de Vaca Muerta, na Argentina.