Parque de fundição mineiro: Setor sofre com falta de matérias-primas

Assim como outros setores industriais, o parque de fundição mineiro também está enfrentando problemas com o abastecimento de matérias-primas. O setor chegou a operar com 70% de ociosidade na produção, em função da crise imposta pelo novo coronavírus, mas nos últimos meses veio se recuperando e já opera 100% da capacidade instalada.

As informações são do presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Afonso Gonzaga. Conforme ele, diante da retomada, a expectativa de recuo da ordem de 30% nos níveis de produção neste exercício foi revista e deverá ser de, no máximo, 10% sobre o ano anterior, quando foram produzidas 650 mil toneladas.

O setor automotivo responde por 55% da demanda da indústria de fundição de Minas Gerais. Por isso, o impacto da parada ou da redução das atividades nas montadoras de veículos foi grande para o setor. Mas, com a retomada nos últimos meses, os pedidos do parque de fundição também voltaram a subir.

“Em junho, além do setor automotivo, retornaram os pedidos da mineração, do próprio parque siderúrgico e da agroindústria, que está segurando o desempenho econômico em todo o País”, explicou.

Segundo Gonzaga, a evolução tem ocorrido mês a mês. Para se ter uma ideia, em julho o setor apurou crescimento de 14% sobre junho; em agosto de 16% frente a julho; e em setembro novamente 14% em relação a agosto. “Por isso, nossa perspectiva para o exercício está melhor”, justificou.

De toda maneira, de acordo com o dirigente, a dificuldade de compra de matéria-prima está afetando a recuperação. É que como o Brasil acabou enfrentando a pandemia posteriormente e, consequentemente, retardando a recuperação também, os fornecedores acabaram fechando contratos com outros países, principalmente na Ásia. Este é o caso de insumos como ferro-gusa, sucata e resina.

“Estamos conversando semanalmente com os fornecedores, tentando achar uma maneira de não prejudicar a produção. Infelizmente os preços subiram em velocidade muito superior à retomada e ainda não conseguimos repassar. Em alguns casos, estamos pagando 60% a mais do que pagávamos em janeiro, o que incide em pelo menos 20% no nosso custo industrial”, revelou.

Um exemplo citado pelo dirigente diz respeito às indústrias do ferro do Estado, que é um dos principais fornecedores da fundição. Segundo ele, quando iniciou a pandemia, o setor teve que buscar mercado lá fora e o mercado asiático passou a ter grande representatividade nas compras dos insumos, que já começam a faltar para os compradores de Minas Gerais.

“Em janeiro, por exemplo, eles exportaram 180 mil toneladas de ferro-gusa para a China, em agosto o volume saltou para 490 mil toneladas”, contou.

Por fim, Gonzaga disse que cerca de 2,3 mil postos de trabalho chegaram a ser extintos em função da queda da demanda provocada pelas medidas de distanciamento social para o controle do Covid-19. Agora, porém, estas vagas já foram recuperadas e o saldo já voltou a ficar positivo. “Estamos, inclusive, com dificuldade de contratar, porque o setor necessita de mão de obra capacitada”, concluiu.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Metalurgia
Data de publicação: 07/10/2020